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Mensagens

O envelope

"Não me vou esquecer de dar o recado, fique descansada que será entregue em boas mãos." Agarrei no envelope, que a Dona Fernanda tinha em cima do balcão e fui direito à estação, ainda faltavam alguns minutos ate o comboio chegar, pus as malas no chão e sentei-me num velho banco de madeira enquanto a guardava a velha máquina da CP que percorria as planícies a sul do Tejo.  Aproveitei aquele momento para pensar no quanto soube bem este curto regresso a casa, o fim-de-semana prolongado, o feriado na 3ª vinha mesmo a calhar bem, apesar de adorar morar e estudar em Lisboa, as saudades de casa e da minha santa terrinha perdida algures no Alentejo estão sempre presentes, sabe bem o convívio com os amigos com os quais partilhei o liceu, rever antigos amores, para não falar da comida de casa que tem sempre outro sabor, alem de que poder sentir o silencio e o vento destas paragens é extremamente acolhedor. Adoro o contraste entre a calma de Vila Viçosa e a confusão da cid...

O fluxo de mil e uma fontes

Deixo as mãos vaguearem pelo teclado, enquanto recordo dos bons momentos que passei ao teu lado, foram fluxos de uma paixão forte, intensa e quente, do vento do Guincho ao cabo da Roca, passando pela costa vicentina ate um quarto com vista para um saguão. Entre dias de chuva e de sol perdemos por uns tempos a realidade, acreditei numa ilusão, eu sim, mas tu não… Várias vezes partimos sem destino e sem olhar para trás, parecia um expresso de emoções ou se calhar eram apenas ondas de pura ficção. Seguimos em frente e o Mundo ficava deprimido, sei que dói e se calhar a mim ate me dói mais. O fogo ladeava a estrada, continuamos ate ao nosso destino, fiquei sem travões, para pararmos as nossas alucinações, que se sobreponham entre discussões sem nexo, eram indicio que o fim estava a chegar. Ficou no ar o teu cheiro, o teu ultimo olhar e a frieza das tuas palavras e assim chegou ao fim a ultima cena desta curta-metragem. A conversa prolongou, entretanto o restaurante fechou, voa...

Encontros e desencontros

Porque a vida é feita disso mesmo de encontros mais ou menos planeados ou até inesperados, baseados na incerteza de um resultado e centrados apenas na vivência de um momento, que resulta de uma empatia invulgar, que une a facção psicológica à atracção física. No escuro de uma sala de cinema, vagueando pela praia durante os últimos raios de sol ou numa viagem sem destino, trocam-se palavras, olhares, beijos e ilusões… A conversa caminha entre preocupações de interesse relativo, mas naquele momento elevados a interesse nacional. A paixão vai evoluindo, a chama torna-se mais forte, enquanto experimentamos algo que já pensamos, erradamente, ter vivido noutras páginas. Porque apesar de haver momentos idênticos todos são diferentes, num pormenor, num sorriso, num sentimento… A certa altura este jogo de palavras e imagens torna-se num labirinto de desconfianças, precipitações e hesitações. Um vento frio encarrega-se de apagar a chama do afecto ficando no ar o fumo da paixão. A pele a...

Entre um beijo e um raio de sol

Entre um beijo E um raio de sol Tu pedes o desejo De encontrar mais um momento de felicidade Na doce ternura do teu olhar No teu jeito na tua simplicidade Descobres que a amizade existe de verdade Num sopro quente de fúria Num final de tarde Ou num inicio de noite Trocas olhares Despidos de passados Repetes a história em lados errados O momento já passou O “flirt” já acabou E tu continuas a deixar o perfume da tua graça no ar…

And The Show Must Go On

À medida que a sala vai começando a ficar preenchida os lugares vão ganhando vida, as pessoas dividem-se entre mandar mensagens por telemóvel, conversar sobre tudo e nada, outros ainda se encontram na fila da bilheteira tentando a sorte nos últimos papelinhos mágicos que dão acesso a esta sala de espectáculos e à peça do momento. Nos camarins o nervosismo dá um ar da sua graça, alguém grita merda, ouvem-se as doze badaladas, que não são mais do que as pancadas de "Moliére", na sala as luzes apagam-se , do sistema de som alguém pede para desligar telemóveis e "pace makers", o silencio domina, o pano de palco sobe, a peça começa. Aos poucos os actores vão entrando em cena, entre diálogos e efeitos cénicos a peça decorre a um ritmo impressionante conseguindo captar a atenção do espectador mais distraído, o cenário baseia-se numa tela branca onde são projectadas inúmeras imagens entre elas uma de fogo de artificio. O "guarda-roupa" é variado e o arg...

Bairro do Oriente

O céu está cinzento, uma leve neblina dilui-se entre uma dose de poluição e meia de oxigénio, a temperatura encontra-se amena e o dia transmite a melancolia que sobrevoa o bairro do Oriente. Despertando uma lágrima que escorre na face de uma mulher que vagueia pelas ruas desta cidade, num misto de magia e tristeza, expresso através dos tempos num dos muitos mendigos que dormem entre caixotes de cartão, ás portas de mais um amontoado de betão. Numa mistura de odores desatentos, cruzam-se connosco, numa pressa atarefada demorando-se alguns segundos a desvanecer-se no ar, entre sorrisos lacónicos e olhares indiscretos. Perturbando as mentes perversas de predadores nocturnos que esperam por mais uma vitima ingénua que vem dando os primeiros passos na fascinante descoberta que é o conhecimento da bruma, aquela que navega ao ritmo das marés, entre o solstício e o crepúsculo. Ao mesmo tempo, abres a janela do carro, aceleras mais um pouco, aumentas o volume do rádio e dás mais uma p...

Acredito no amor e na felicidade

As lágrimas escorrem-me pela face, E a tristeza pela alma... Acredito em mim e em ti! Acredito no amor e na felicidade… Acredito em mim e em ti! A mágoa envolve-se com a vontade de ganhar, Numa luta entre a descontracção e a estupidez natural, Esta construção ilegal de sentimentos, De revolta de pensamentos… O meu silêncio esconde um outro olhar… Um outro lugar, O significado da palavra amar Bem presente no teu sorriso Na tua pulsação e no teu respirar… Acredito em mim e em ti! Navegando entre o dia e a noite, Acredito no amor e na felicidade...